segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Fases...


LUA ADVERSA

Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...


(Cecília Meireles)

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Inspiração...

The Harvest Moon
by

Mudanças...

Viver no meio de caixotes é coisa para dar cabo destes meus nervos fraquinhos, desta minha paciência impaciente, deste meu tempo sem tempo especialmente porque não consigo o milagre da multiplicação e arranjar umas três Papoilas frescas e fofas - de preferência sem coração - e deitar metade das coisas fora! Que ferro velho!!!

O melhor presente de Natal...

Helenamente


Acabo de inventar um novo advérbio: helenamente
A maneira mais triste de se estar contente
a de estar mais sozinho em meio de mais gente
de mais tarde saber alguma coisa antecipadamente
Emotiva atitude de quem age friamente
inalterável forma de se ser sempre diferente
maneira mais complexa de viver mais simplesmente
de ser-se o mesmo sempre e ser surpreendente
de estar num sítio tanto mais se mais ausente
e mais ausente estar se mais presente
de mais perto se estar se mais distante
de sentir mais o frio em tempo quente
O modo mais saudável de se estar doente
de se ser verdadeiro e revelar-se que se mente
de mentir muito verdadeiramente
de dizer a verdade falsamente
de se mostrar profundo superficialmente
de ser-se o mais real sendo aparente
de menos agredir mais agressivamente
de ser-se singular se mais corrente
e mais contraditório quanto mais coerente
A via enviesada para ir-se em frente
a treda actuação de quem actua lealmente
e é tão impassível como comovente
O modo mais precário de ser mais permanente
de tentar tanto mais quanto menos se tente
de ser pacífico e ao mesmo tempo combatente
de estar mais no passado se mais no presente
de não se ter ninguém e ter em cada homem um parente
de ser tão insensível como quem mais sente
de melhor se curvar se altivamente
de perder a cabeça mas serenamente
de tudo perdoar e todos justiçar dente por dente
de tanto desistir e de ser tão constante
de articular melhor sendo menos fluente
e fazer maior mal quando se está mais inocente
É sob aspecto frágil revelar-se resistente
é para interessar-se ser indiferente
Quando helena recusa é que consente
se tão pouco perdoa é por ser indulgente
baixa os olhos se quer ser insolente
Ninguém é tão inconscientemente consciente
tão inconsequentemente consequente
Se em tantos dons abunda é por ser indigente
e só convence assim por não ser muito convincente
e melhor fundamenta o mais insubsistente
Acabo de inventar um novo advérbio: helenamente
O mar a terra o fumo a pedra simultaneamente

To Helena - Ruy Belo 
Transporte no Tempo

sábado, 31 de dezembro de 2011

Coisas do coração...

Foi com o coração que celebrei o Ano Novo de Moscovo (engoli o meu desejo escrito num papel queimado e afogado em champagne - manias tradições esquisitas locais), vai ser com o coração muito apertadinho que vou comemorar o Ano Novo de Lisboa (longe dos meus e de tudo o que faz sentido) e vai ser com o coração já solto (ui, 3x champagne) que o Ano Novo vai acontecer neste fuso horário em que me encontro.  Feliz Ano Novo!

At the end of the day (year)...


That's all that really matters!

I wish...

Feliz Ano Novo

E o último dia do ano...

chegou! E com ele chegam as promessas e os sonhos de um virar de página que não é senão uma repetição de histórias com mais ou menos sabedoria, mais ou menos vontade, mais ou menos liberdade. Então façam um bom balanço em 2011 para entrarem cheios de força em 2012! Aos saltos, com passas e desejos a realizar.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Agora calhou-me a mim...

Esta coisa do blogger, que já conta com algumas queixas (nunca minhas), agora decidiu incluir-me na lista negra. Então reza a história que não é possível deixar comentários. Nem aqui nem em blogs alheios. Pronto, alguém achou por bem trancar-me no escuro. Mais um castigozinho para ver se deixo de ser chatinha!

Quero muito...

Quero muito este livro para mais umas sessões de alquimia na minha cozinha (nova! - vai ser bom, vai correr bem, inspira, expira - tenho que ir contrariando esta minha aversão a espaços novos). Recomendadíssimo pelo colega que o tem e que já fez as receitas todas e aprovou (aposto que também provou!).
Hoje votámos no Cherry Garcia - não é o meu favorito, mas... deixa-se devorar, o sonso (do gelado, claro)!

O Natal português...

As lareiras fumam sempre mal, as cunhadas nunca se calam, os primos têm sempre manias de grandeza e o vinho acaba inevitavelmente em lágrimas! Parece que sim...

Argh...

Eu acho que vou chegar mesmo atrasada...

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Ai, ano novo, ano novo...

Eu e a minha paranóia dos duches e higienes pessoais e afins roubam-me assim um bocado de tempo, para além de já ter tido uns incidentes menos simpáticos, ora com a fita dentária e um lábio cortado ora outras coisas menos próprias para serem aqui descritas. Mas é o meu momento. Lava-se o corpo e limpa-se a alma. E agorinha mesmo e num ritual diário frente ao espelho penso com os meus laços (à falta de botões), que só quero ir para casa. Chegando a casa, vou esquecer este pesadelo por uns tempos. Vou retemperar forças e ganhar uns anticorpos para recomeçar tudo de novo e vou voltar mais forte e qual Padeira de Aljubarrota venham eles... de repente gelo. Esta vai ser a primeira vez que quando voltar a casa, volto para uma casa diferente. É que entretanto mudei-me (antes de vir) e esqueci completamente (até agora)! Eu aqui a ansiar pela minha zona de conforto, o meu reino e vou dar com paredes novas, ambientes novos, sons novos. Isto não  me está a correr nada bem. Logo eu que sou tão avessa a mudanças... Argh!

Estou pior...

Esta coisa da introspecção não me está a fazer nada bem à cabeça! Não está, não! Tenho mesmo aqui ao lado uma coisa destas e ainda não lhe toquei. Isto está pior do que eu pensava...