sexta-feira, 19 de abril de 2013

Com o coração cheio de lamechice...

O meu afilharado já tem email e Skype. Hoje ligou-me porque queria testar o brinquedo novo. Fizemos experiências com voz e imagem e uma conferência de grupo. Achou piada. Também achou piada a mãe ser um bocado info-excluída. Goza com ela. Confia mais na mardinha para as modernices, porque a mardinha é uma cool, diz ele. A mãe, não. A mãe é chata, claro. É mãe. Também tem um Facebook marginal. Ele acha que ninguém sabe, mas nós, os crescidos, vamos controlando à distância à espera de um dia sermos todos amiguinhos  para fazer likes e shares de posts. Está a ficar um info-incluído, este meu afilharado. E diz que tem que ser assim porque o mundo é virtual. As coisas que os miúdos dizem. E nós, ou pelo menos eu, a sentirmo-nos cada vez mais velhotes com este passar do tempo à velocidade da luz. 

NB - afilharado e mardinha na versão original. Não é erro ortográfico.

4 comentários:

sintologoexisto disse...

A versão original do meu afilhado quando chama pelo padrinho é "parvinho". Pelo menos quando é incitado pela mãe (minha irmã).

Papoila Bem Me Quer disse...

Os meus afilhados têm uma madrinha agnóstica. Nenhum dos dois foi baptizado pela igreja mas eu, todo-poderosa, baptizei-nos a nós próprios- eu fiquei mardinha, eles afilharados. Nomenclatura ajustada para não ferir algumas susceptibilidades que chegaram a levantar voz.

sintologoexisto disse...

Não sabia da exclusividade do conceito de padrinho para o catolicismo (ou religião em geral). Embora agnóstico (ou ateu, ainda não me defini bem) sou mesmo padrinho de batizado. Confesso algum desconforto no processo, sobretudo por ser o mais distante da religião numa família tradicionalmente religiosa. Convenções e protocolos à parte, o que realmente importa, são as atitudes, isto é, a oferta de prendas! :)

Papoila Bem Me Quer disse...

Eu sou agnóstica e não sou baptizada e, por coerência, não baptizaria ninguém. Por sorte esta mão cheia de compadres partilha do mesmo credo. Se assim não fosse não seria mardinha destes afilharados, mas também não viria mal ao mundo, alguém assumiria esse papel. Porque para mim é mesmo um papel (no sentido figurado) que se assume. Uma responsabilidade para a vida. Aquelas duas crianças são e serão as minhas protegidas enquanto quiserem e aceitarem que eu faça parte da vida delas.
Há, no entanto, sempre umas mentes iluminadas a questionar a validade deste compromisso. Ah... mas és madrinha de coração? Ou uma madrinha fingida? Meia madrinha? Madrinha da vida? Entre outras pérolas que uma pessoa tem que ouvir. O que vale é que vozes de burro não chegam ao céu desta gente.